ALICE IN WANDERLUST

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Atualizado: 5 de ago. de 2021


Nas margens do Rio Tejo, no território entre Gavião e Nisa, existe um diamante cada vez mais bem lapidado. A paisagem da língua comprida do rio, rodeada de bonita vegetação, motivou uma intervenção cuidada do homem em harmonia com a natureza. Desta vez, fomos à procura de passadiços – relativamente curtos, porque não se pode exigir demais dos pequenotes – e não ficámos nem um pouco desiludidos. Aos percursos family-friendly, junta-se a boa gastronomia e uma simpatia espontânea dos que nos acolhem, tornando a viagem ainda mais prazerosa. Eu, que nunca tinha virado a minha atenção para o Alto Alentejo, fiquei agradavelmente surpreendida e com muita vontade de regressar. A Alice? Quis guardar o “mapa do tesouro”!

© Edna Ladeira

 

Onde ficar?


Gavião Nature Village: um eco-glamping perfeito para famílias


Aberto há apenas cinco meses, o Gavião Nature Village foi a nossa escolha para “casa de férias”. Casa, como quem diz, porque o alojamento é um eco-glamping com tendas e bungalows sofisticados. Nós ficámos numa tenda glamping, bonita, confortável e equipada com aquilo a que se pode chamar de luxo para um "campismo". Fique a saber quais as outras razões para termos vontade de voltar com a Alice.

© Gavião Nature Village


Tem uma piscina mista.

Como diz o pai, esta é uma piscina agregadora de famílias. Com duas zonas divididas por um separador de azulejo mais alto, pais e crianças partilham a piscina em harmonia e o melhor de tudo é que, como este é um alojamento com muitas famílias, os miúdos fazem aqui as suas amizades de Verão com muita facilidade. A Alice ainda se lembra do Rafael, da Francisca, do Pedro, da Laura...

 

Existe um “cantinho dos miúdos” no restaurante.

Quadros de ardósia, um labirinto, mesas para escrever e pintar e... os amigos da piscina! Pois é, é aqui que, ao jantar, os amiguinhos de Verão se juntam para brincar, enquanto os pais se regozijam com uma bela refeição. Como o espaço é fechado e o cantinho fica bem à vista dos pais, temos uma sensação de segurança, que acho que é comum a todos os pais. E ainda temos um bónus: um pôr-do-sol incrível partilhado com os filhotes.

 

Os miúdos brincam no parque infantil e visitam a Quintinha Pedagógica.

Uma cabra, um bode, uma porca Pêpa e várias galinhas chamam a atenção das crianças, que podem alimentá-los com a ajuda do tratador. Depois é pegar no amigo de Verão e arrastá-lo para o parque infantil, porque toda a gente sabe que um baloiço e um escorrega são suficientes para fazerem a alegria dos petits enfants.

 

Sugestão de Roteiro


Dia 1. Passadiço e Praia Fluvial de Alamal


Apenas a três minutos de carro do nosso alojamento, o Rio Tejo é cenário de uma bonita praia fluvial, com uma vista única sobre o Castelo de Belver. A Praia Fluvial de Alamal, rodeada de espaços verdes com sombras de árvores, é o ponto de partida e chegada do Passadiço de Alamal, construído ao longo do rio e cuja vista incrível para o Castelo motiva umas histórias – reais ou imaginadas – contadas aos miúdos. O passadiço, com várias sombras ao longo do percurso e muito poucas escadas, tem apenas 1800 metros, uma distância muito fácil para os pais que levam os miúdos, quer eles se desloquem no sling, na cadeira ou no carrinho. Para além do castelo e da vegetação, as colinas graníticas são também um ponto alto nesta pequena viagem, que, apesar das sombras, deve ser feita no inicio da manhã ou ao final da tarde. Para os verdadeiros amantes de caminhadas com filhos um pouco mais velhos, há boas notícias: a Câmara quer prolongar o passadiço até aos 10 quilómetros, para que a caminhada “não saiba a pouco”!


Findo o percurso de ida e volta, estenda-se na areia da praia fluvial, coma uns petiscos no bar de apoio ou dê umas voltas de canoa ou gaivota em família (a Alice pedalou e tudo!). As águas calmas do rio e a bonita paisagem dar-lhe-ão a descontracção necessária para continuar a... descontrair... de regresso à piscina do Gavião Nature Village!

 

Dificuldade da caminhada: Fácil

Distância do percurso: 3,6 quilómetros, ida e volta

Infra-estruturas da praia: Bar/restaurante; chuveiros; casa-de-banho, parque de estacionamento.

Dia 2. Passadiço de Nisa


Há quem diga que a côr lilás dos baloiços era desnecessária. Também há os que são da opinião de que as instalações artísticas não deveriam estar ali. Bem, nós conduzimos 30 quilómetros porque uma certa mãe não aguentava de curiosidade. O plano da viagem estava bem delineado: o Passadiço de Nisa era obrigatório! E desta vez, não foi só pelos baloiços com vistas magníficas, das quais esta família já é fã. O Passadiço de Nisa tem várias atracções dignas de passagem: miradouro transparente sobre o Tejo (Skywalk), ponte pedonal suspensa e um módulo de observação de aves, tudo num percurso com uma vista de cortar a respiração, mais uma vez, na margem do Rio Tejo. Pelo caminho, várias instalações artísticas para dar um pouco de côr à paisagem e simbolismo ao percurso. O passadiço, todo em madeira e com bastantes escadas, tem pouco mais de um quilómetro até chegar ao Muro de Sirga, que inicia o trilho da Barca d’Amieira, mas que nós já não fizemos pelo receio das crianças não aguentarem (o passeio tem de começar cedo, porque não há sombras para ajudar à caminhada). A Alice, que desta vez tinha a amiga Maria como companhia, fez tudo a pé, animada com tanta distracção! Há que tirar o chapéu a estas miúdas: vertigens no miradouro transparente? Nada! Medo de passar pontes suspensas? O que é isso? Elas, sim, são verdadeiras aventureiras!

© Edna Ladeira

 

Dificuldade da caminhada: Fácil

Distância do percurso (apenas Passadiço de Nisa): 2 quilómetros, ida e volta

Dicas: Qualquer altura é boa para fazer a caminhada, mas tem de ter atenção com o calor no Verão e o chão escorregadio no Inverno. Leve também o seu saco de lixo, não vai encontrar nenhum pelo caminho.

 

Dia 3. Castelo de Belver e Caminho da Fonte Velha


Nada como começar bem o dia a ser comandados pela chefe Alice. Sobe escada, desce escada, visita torre, salta pedregulhos... O Castelo de Belver não é bonito apenas visto de longe! Mas certo é que na sua mira quem continua a brilhar é o rio Tejo. Já lá dentro, se não ficar eternamente preso à vista, pode ficar a conhecer a sua história dentro da Torre de Menagem, bem como uma exposição de fotografia amadora; ou ainda passar pela capela renascentista. Se fizer a visita de manhã, é uma boa ideia continuar caminho pelo Caminho da Fonte Velha e terminar com um belo piquenique no parque de merendas de Belver. Para além de curto, este caminho é curioso! Tem várias obras de arte esculpidas nas pedras e são de vários autores, evidenciando traços mais antigos e outros mais contemporâneos. E do nosso lado direito, quem chama por nós? O Rio Tejo, claro!

© Edna Ladeira

 

Início do Caminho da Fonte Velha: Rua da Fonte Velha

Distância do percurso até ao parque de merendas: 350 metros

Dificuldade do percurso: Fácil

 

Sugestão de restaurante: Nós preferimos provar comida típica, por isso almoçámos no restaurante Belver, onde provámos as fritadas de peixe com migas de ovas e o naco na pedra com migas de bolota. Comida excelente, serviço muito atencioso e preços atractivos para a classe média.


Curiosos? Peguem nas malas e boa viagem!

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Sempre me perguntei o que pensará a Alice quando vê exposições. Será que guarda as imagens na memória? Será que se diverte ou reflecte sobre coisas que ela não conhece? Ou limita-se a fazer a vontade aos pais, apontando e dizendo, muitas vezes “olha, que bonito”! Parece-me que ver uma exposição pode ser um win-win para pais e miúdos, mas há apenas uma condição: serem simples. Na forma e no conteúdo. E simplicidade nunca foi antónimo de qualidade. Pelo menos, aqui.

© Edna Ladeira

 

EM TRÂNSITO


Não sou fã de pintura. Mas quando estou à frente de uma exposição do género lá vou eu ver “se é desta que me surpreendem”! Em Trânsito, de Penélope Clarinha, apanhou-me! Tenho de admitir que fiquei rendida à criatividade da artista. Senti-me provocada, como se os quadros me obrigassem a pensar mais, a brincar mais com o meu próprio cérebro, a desafiar a inteligência. No caso da Alice, apenas teve oportunidade de achar graça à própria pintura, mas o adulto diverte-se quando lê as legendas de cada quadro, cada um melhor e mais divertido que o outro. Visto de longe ninguém diria, nada de abstracto, linhas rígidas, figuras comuns. Chegue-se mais perto e desengane-se. Procure o trocadilho entre o nome do quadro e a pintura e irá divertir-se do inicio ao fim. Até a Alice parece ter percebido, quando a meio da exposição me diz “francamente”.

-“Francamente? O que é isso, filha?”.

- “Sim. Francamente quer dizer Oh, meu Deus”!

Oh, meu Deus, digo eu! O meu coração assim não aguenta!

© Edna Ladeira


Onde: AMAC (Auditório Municipal Augusto Cabrita)

Quando: Até 31 de Julho

Horário: Terça a Domingo, 14h-20h

Telefone: 212 068 232

 

BIG BANG BOOM!: DA CRIAÇÃO DO UNIVERSO À ORIGEM DA VIDA


- “Mãe, onde é que eu estava antes de nascer?”

- “Estavas na minha barriga”.

- “E antes da barriga?”

- “Estavas em todo o lado”.


A partir da experiência das oficinas de desenho BIG BANG BOOM! a autora e ilustradora Margarida Botelho adiciona a sua interpretação à expressão espontânea das imagens criadas pelos bebés e suas famílias. Constrói uma narrativa visual baseada em paradigmas científicos, mas nem um pouco entediantes. Numa mescla e explosões de cores vibrantes mostra o movimento do universo e do milagre da vida, utilizando, muitas vezes, composições que nos enredam numa história que conhecemos tão mal, mas que é a nossa casa. Perante isto, há um pensamento que consegui partilhar com a Alice e foi logo quando chegámos. “WooooooW”, exclamámos! E entrámos no espaço infinito...

© Edna Ladeira


Onde: AMAC

Quando: Até 31 de Julho

Horário: Terça a Domingo, 14h-20h

Telefone: 212 068 232

 

LUGARES EFÉMEROS, MEMÓRIAS ETERNAS


Esta é, talvez, a minha exposição preferida (ainda não perguntei à Alice qual foi a dela). Simples: fotografia de paisagem. E quem não gosta de fotografia de paisagem? Se não gosta, é porque ainda não viu as perspectivas de João Ramos, fotógrafo de paisagem natural de Beja, que conta com um percurso reconhecido a nível nacional e internacional. Sim, foi aqui que a Alice disse “tão bonito”, por entre imagens de auroras boreais, florestas, pores-do-sol, campos de flores, fiordes, todas em países distintos e que deixaram memórias eternas ao artista. O meu coração palpita e aquece-me, quando me permito viajar contemplando fotografias como estas. E, de mim para mim, digo “um dia, iremos com a Alice a lugares tão belos como estes”.

© Edna Ladeira


Onde: Parque da Cidade (Av. Escola dos Fuzileiros Navais)

Quando: Até 30 de Julho

Horário: Todo o dia

 

OUTROS MUNDOS: PERSPECTIVAS DO NOSSO SISTEMA SOLAR


Do fotógrafo Michael Benson, esta exposição de rua organizada pela Fundação La Caixa e o Banco BPI conta com 40 fotografias do nosso sistema solar, captadas pelas sondas da NASA e da ESA e selecionadas pelo fotógrafo. São imagens lindíssimas que, à noite, ganham outra dimensão, já que todos os painéis têm iluminação. Para a Alice, foi uma verdadeira surpresa, algo completamente novo. “O sol está com fogo, olha, mãe!(...)A Terra tem tanto gelo!...”. Depois de reacções como esta, só posso ter uma certeza: sim, as exposições podem ser um win para toda a família!

© Edna Ladeira


Onde: Avenida Bento Gonçalves (Avenida da Praia), junto à Piscina Municipal

Quando: Até 22 de Julho

Horário: Todo o dia

Visitas Guiadas: Sábado, 11h | Domingo, 18h (sem necessidade de marcação prévia)



Divirtam-se!

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Atualizado: 28 de mai. de 2021

Na pequena vila de Cabrela, no concelho de Montemor-o-Novo, existe uma casa de turismo rural que torna as férias prazerosas ao ponto de nos sentirmos dentro de uma bolha. É uma bolha generosa e de autenticidade, na qual somos acolhidos pela leveza e simplicidade de um povo, mas também conseguimos desfrutar do bom gosto estratégico de quem pensou nesta casa singular. Famosa por ser finalista das 7 Maravilhas Doces de Portugal, graças às suas maravilhosas filhoses (comprovamos), Cabrela irá dar ainda mais nas vistas quando a série da Netflix – Glória – for para o ar e mostrar alguns dos cenários gravados no local. À parte disso, saibam o que nos deslumbrou neste alojamento local e nos deixou com vontade de voltar.

© 1- Filhoses de Cabrela

© 2 - Sónia Bombico

© 3 - Casa das Letras

 

UMA CASA ELEGANTE COM MIL COISAS PARA FAZER


Recebe até nove pessoas, o que significa que pode fazer uma escapadinha com a família ou amigos, mas também é possível alugar só um quarto e ter a casa inteiramente para si. Testemunhamos o conforto e a elegância, mas foram as distracções da casa que nos proporcionaram momentos de muita diversão e até de evasão.

© Casa das Letras


Tem milhares de livros para conhecer. Não é exagero, são mesmo milhares e encontram-se espalhados por todos os cantos da casa: sala, corredores e quartos são autênticas montras de livros mais descontraídos, ou histórias complexas de alguns autores clássicos. A Alice, que tinha uma cabine de leitura quase inteiramente para si, preferiu “ler” Shakespeare e Charles Dickens. “Mamã, tu és a Laura, da minha escola. Pai, tu és o Tomás. Este é o vosso manual de actividades”. Mais meia dúzia de actividades e quem ficava expert em clássicos era eu!

© Casa das Letras


Um piano de 1920 que encanta miúdos e graúdos (da marca John Brinsmead & Sons – London, para os mais entendidos). Quando a gestora da casa, a Catarina, nos apresentou a casa, disse: “Quem souber, também pode tocar piano”. Sorri e disse, inocentemente, que não sabíamos tocar, mas enganei-me redondamente. A Alice, que nos dá música a toda a hora, abriu delicadamente o piano e começou a tocar. É claro que o fez várias vezes durante a nossa estadia e convidou-nos para tocarmos a quatro mãos. Foram momentos preciosos, embora só ela tenha demonstrado ser a verdadeira artista!

© Edna Ladeira


E aquela mesa de snooker? Tenho de admitir que foi o ex-libris da casa! Depois de uma abstinência de quase 15 anos sem jogar snooker (houve tempos em que não era muito má jogadora), eu e o pai divertimo-nos imenso nas disputas amigáveis (se fosse a dinheiro, ficava na penúria). Mas o mais cómico foi a Alice querer aprender a jogar e conseguir até fazer os movimentos certos com os seus dedos delicados! “Eu fico com as laranjas, tu ficas com as azuis, está bem, mãe?”


Um jardim perfeito para piqueniques. Esqueça as formigas, as aranhas, os arbustos que nos deixam arranhados e a gasolina que tem de gastar para procurar um spot. A Casa das Letras tem um jardim anexo que é perfeito para fazer piqueniques: é relvado, tem uma piscina e mesas de merendas. Um lugar mesmo catita para fazer uma ou várias refeições. O melhor de tudo? O ninho suspenso que parece uma tenda. “Agarra-te bem, filha, vamos viajaaaaaaaar”!

© Casa das Letras

 

E O PRÉMIO DE MELHOR PARQUE INFANTIL DE FÉRIAS VAI PARA...


Antes de falarmos alguma coisa sobre este parque, é importante que fique a saber que a Casa das Letras é já uma “instituição” em Cabrela. Com uma agenda cultural muito dinâmica e uma forte parceria com a Junta de Freguesia, é aqui que acontecem algumas das sugestões culturais mais interessantes da vila: lançamentos, peças de teatro ou concertos dão vida a este lugar. Ora, como pequenina vila que é, todas as pessoas conhecem a tão famosa Casa das Letras. Por isso, quem está instalado neste alojamento local é muito bem recebido por gentes tão amigáveis e simples como as de Cabrela. Isto leva-me ao próximo ponto: o parque infantil da vila fica – literalmente – a três passos da Casa das Letras. Três passos. Significa isto que a Alice passou metade do tempo a brincar no parque com as crianças de Cabrela. “Pai, fiz uma amiga nova”, disse vezes sem conta. “Os meninos aqui são muito simpáticos”, comentava ao passear na rua. “Leonor, queres vir a "minha" casa tocar piano comigo?”. Confesso que para nós, que viajamos com uma criança pequena, são estas coisas simples que fazem valer a pena. É tão simples brincar num parque com baloiços. É tão bom fazer amigos no parque que vêm à nossa casa de férias tocar piano connosco. E é tão reconfortante saber que tudo isto acontece ali, à porta de nossa casa, quase a qualquer momento. Casa das Letras, Cabrela, obrigada pelas saudades que sentimos ao regressar!



© 1 - Casa das Letras

© 2 e 3 - Edna Ladeira

 

TOME NOTA:


· O Zoo de Lavre (Monte Selvagem) fica a 25 km;

· A Praia da Figueirinha fica a 50 km;

· Évora fica a 50 km;

· Peça à Casa das Letras para visitar os burros da vila.

 

SERVIÇOS DA CASA DAS LETRAS, A PEDIDO:


· Massagens (na casa);

· Passeio numa Pão-de-Forma;

· Cesta de piquenique adaptada aos gostos pessoais.

 

CASA DAS LETRAS - BED & BOOKS

Morada: Praça da República, 1. 7050-406 Vila de Cabrela

Telefone: 265 895 044

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